quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

"Intimidade entre estranhos"






Quarta passada, 17 de dezembro, consegui carregar minha irmã para o show de Roberto Frejat, ex-guitarrista e ex-vocalista do Barão Vermelho [a banda está em recesso desde 2007], que apresentava seu terceiro álbum solo “Intimidade entre estranhos”. Embora o ingresso marcasse 22h para o início do show, Frejat só entrou no palco minutos depois que o relógio marcou 1h (da manhã, claro) e eu já estava descalça e sem paciência. Tudo passou quando ele abriu a apresentação à Marina:

Pra começar, quem vai colar
Os tais caquinhos do velho mundo?
[Ninguém aqui vai]
Pátrias, famílias, religiões e preconceitos
Quebrou não tem mais jeito
Agora descubra de verdade
O que você ama...
Que tudo pode ser seu


Contrariando a crítica não-especializada (leia-se: meus amigos, que não quiseram me acompanhar), o show do novo disco de Frejat não atraiu (somente) velhos – pelo contrário, atraiu uma rafaméia de pós-adolescentes-loucas que gritavam histericamente à beira do palco e empurravam um segurança mau humorado, prostrado de costas pro show.




 NOVO ÁLBUM - "Intimidade entre estranhos"


Bem, depois de vê-lo cantar bem de perto e passar a semana ouvindo um dos seus álbuns solos (o primeiro, “Sobre nós dois e o resto do mundo”), posso classificá-lo como um compositor de contrastes. Frejat assina canções excelentes (vide "Amor pra recomeçar"), boas (vide "Túnel do tempo") e péssimas (vide "Seu amorzinho"). Isso, sem contar as que foram fruto de sua parceria com Cazuza, como “Bilhetinho Azul”“Bete Balanço" e "Maior Abandonado". Além disso, o rapaz (hoje com 47 anos) vai muitíssimo bem na guitarra e no violão. Eu suma, é mais ou menos isso: composições que vão do céu ao limbo, guitarra de encher os ouvidos e um voz mediana (mas me agrada, confesso, sem vergonha).

No palco, Frejat estava solo, mas acompanhado pelos ex-barões André Palmeira (baixista) e Maurício Barros (tecladista), ambos da formação original do Barão Vermelho, que tinha Cazuza nos vocais. O set list contemplou canções próprias e de terceiros, repaginadas em versões que poderiam até deixar velhas conhecidas irreconhecíveis (vide a versão “frejatiana” para “Pra começar”).

Nosso encontro aconteceu como eu imaginava
Você não me reconheceu, mas fingiu que não era nada
Eu sei que alguma coisa minha, em você ficou guardada
Como num filme mudo antes da invenção das palavras

Afinei os meus ouvidos pra escutar suas chamadas
Sinais do corpo eu sei ler nas nossas conversas demoradas
Mas há dias em que nada faz sentido
E o sinais que me ligam ao mundo se desligam
(...)


Com o Barão, Frejat já recebeu quatro prêmios Sharp “Melhor Grupo Pop/Rock” (em 1990, 1992, 1994 e 1996), um Vídeo Music Brasil além de uma indicação ao Grammy Latino. O álbum apresentado aqui no Recife é o terceiro trabalho individual dele, que já gravou “Amor pra recomeçar” (2002) e “Sobre nós dois e o resto do mundo” (2003).

Ademais, o The Pub, bar-boate onde aconteceu o show, aqui no Recife, é organizadinha, honesta e garantiu uma noite agradável (até a hora da saída, quando uma fila estranha atrapalhou tudo). O show correu na paz, mas chamando um lado “Fernanda Young”, digamos que eu ainda me irrito com fãs descabeladas e gente cara-de-pau que se acha no direito de sair empurrando todo mundo e estaciona bem na sua frente. Eu retirei umas três da minha frente.


Em tempo: Estou arrasada por que não fiz o texto logo depois do show e perdi o “time” da coisa. Também não levei uma máquina decente para registrar e acabei tendo que me conformar com as fotos fubentas do celular. Promessa de que não faço mais isso.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Uma história, uma charge [8]

sábado, 12 de dezembro de 2009

Para continuar pensando

Eu entrei atrasada nessa história, mas fui atrás da repercussão. E olhaí o depoimento da Dra. Ana Flávia Pinto sobre o episódio do aeroporto de Aracaju:



Eu posso apostar que se a cena do aeroporto não tivesse sido gravada e postada no youtube (de onde já foi retirada por "violar as normas de uso") já tinha virado fumaça. Outra: tento, mas não consigo me comover com o depoimento da doutora aí. Imagine se todo mundo que esteja passando por "momentos difíceis" da vida ou que tenha planos frutrados se ache no direito de xingar terceiros? O negócio ia ficar bom de vez...

Bem, fora a historia que está no vídeo da postagem anterior, há informações que dizem que o funcionário da Gol, Diego José Gonzaga dos Santos, ainda ouviu da passageira que perdeu o voo: “eu sou médica e você, se dependesse de mim, morreria”. É bom o Conselho de Medicina de Sergipe ficar de olho nesse tipo de médico e dar uma revisada no juramento de Hipocrates, que, parece, não serve mais de nada.


RESUMINDO

"Segundo depoimento da vítima na delegacia plantonista, a médica Ana Flávia e o marido iriam viajar em lua de mel em um dos voos da Gol para a Argentina, mas a passageira chegou para fazer o check-in 10 minutos antes da partida da aeronave e o embarque já estava encerrado. O check-in de voos internacionais é feito duas horas antes do horário previsto de saída. O Boletim de Ocorrência, registrado preliminarmente na Delegacia Plantonista relata que a médica teria invadido o espaço destinado aos funcionários da companhia aérea após ser informada de que não poderia embarcar. “Ela gritou bastante e ficou descontrolada quando informei que o embarque já estava encerrado e a aeronave iria decolar. Essas regras são estabelecidas em todo o Brasil e não podemos abrir mão. A partir disso, ela passou a quebrar objetos do balcão da empresa e a jogar papéis no chão”, relata o funcionário."


Em entrevista, a delegada Georlize Telles disse que a Polícia Civil sergipana já instaurou inquérito para apurar os fatos e garantiu que todas as providências vão ser tomadas.  "Queremos tranquilizar a sociedade e dizer que tudo será apurado com isenção”, garante Georlize.

Engraçado... não consigo ficar tranquila.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Para parar e pensar

Há coisas que acontecem até hoje que provam o quão primitivos ainda somos, mas a que mais me incomoda é a intolerância religiosa, racial, sexual... enfim. Qualquer babaquice dessas.

Recebi um vídeo por e-mail, uma matéria de telejornal que trata justamente disso. Uma cena lamentável de intolerância. Nesse caso, eu diria, é uma cena crassa de ignorância.

É muito preocupante que esse tipo de coisa ainda aconteça.
Por favor, assista e, se possível, mande sua opinião.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Clarice de “modernismo remodernizado”

Hoje é “aniversário de morte” (!) de Clarice Lispector, que deixou essa terra em 9 de dezembro de 1977. Particularmente, me identifico muito com suas falas – ela é, das mulheres da literatura, aquela por quem tenho mais apreço. Não desmerecendo Raquel e Cecília (de Queiroz e Meireles, respectivamente), mas por conseguir compreender “profundamente” melhor as palavras de Clarice do que o regionalismo e as efemeridades das outras (respectivamente). Clarice se auto declarou impulsiva, certa vez. Muitas vezes, eu também o faço. 

Aliás, a simples afirmativa de “identificar-se com Clarice” é pequena e vasta. Pequena, por que “ser” o que Clarice escreve é muito fácil - no fim das linhas, acabamos nos mesmo lugares, com os mesmos anseios e os mesmo medos. “Vasta” é uma tentativa frustrada de descrever a grandiosidade do que ela foi capaz de (d)escrever, embora ainda acredite que o predicado seja simplório demais para coisa tão grande.
Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Clarice morreu aos 57 anos incompletos, um dia antes do seu aniversário. Nasceu Haia Lispector, na Ucrânia, em 1925, mas veio morar no Recife bem cedo. Viveu aqui durante toda infância, até mudar-se para o Rio de Janeiro. No centro da cidade, temos uma estátua dela, na Praça Maciel Pinheiro. Inclusive, me bateu agora a curiosidade de saber como anda o estado da tal pedra. Dia desses, passo lá na praça para averiguar e ainda registro foto melhor do que esta, que foi a única que encontrei no Google. Aproveito também para fotografar e identificar (não nessa ordem) o prédio onde viveu a escritora e jornalista, que fica na esquina da praça com a Travessa do Veras.



"Pedra" de Clarice, na Praça Maciel Pinheiro, aqui no Recife

Não vou me perder mais falando da biografia de Clarice, já que dados e comentários sobre isso se encontram aos montes em qualquer simples busca. Mas uma coisa que li aqui me chamou atenção: Em 2005, em artigo publicado pelo The New York Times, Clarice foi “descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana” (ou latinoamericana?) por Gregory Rabassa, que traduziu a obra da “ucrano-brasílica” para o inglês.

E outra: em 14 de setembro, Clarice dormiu enquanto fumava e causou um incêndio que deixou seu quarto ficou totalmente destruído. Com inúmeras queimaduras pelo corpo, passou três dias sob o risco de morte — e dois meses hospitalizada. Quase tem sua mão direita — a mais afetada — amputada pelos médicos. Dizem os registros que o acidente mudou totalmente a vida de Clarice. Eu não sei o quanto, mas já me interessei em procurar. Lembrem-me, por favor.

Há um tempo, ganhei um exemplar de “A descoberta do mundo” que, confesso, ainda não li. Não sei exatamente de quem ganhei, mas sei exatamente o porquê: era um dos livros preferidos de Cazuza. A pessoa que me deu decerto me conhecia bem.

Sugiro àqueles que gostam de Clarice [e àqueles que ainda não tiveram o prazer de conhecê-la], que acessem o sítio www.claricelispector.com.br. Ali, ganhe dez minutos lendo o artigo escrito por Tristão de Atayde:

No seu último livro, em dedicatória escrita um mês antes de morrer e que recebi, no próprio escritório de seu último editor, José Olympio, essa mulher atormentada terminava suas palavras de afeto, ao seu primeiro editor, com essa sentença literal que tudo explica: “Eu sei que Deus existe.” Sua trágica solidão teve também um Companheiro. (leia na íntegra clicando aqui)






BELA CLARICE 
“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Já não era sem tempo

Recebi uma nota da assessoria da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), sobre a reabertura do Cinema São Luiz, adiada do dia 9 para 28 de dezembro (por "incompatibilidade na agenda do governador Eduardo Campos). "A escolha da nova data é simbólica: marca a primeira exibição cinematográfica dos Irmãos Lumière, conhecidos como os pais do cinema, em 1895. A exibição inaugural do São Luiz continua sendo a do filme Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas".

Já não era sem tempo!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Enem, a piada do ano

Eu vou dizer a você, hoje, caro brasileiro que me lê, o que é uma palhaçada bem feita, com circo armado e tudo. Hoje, 6 de dezembro, essa palhaçada chama-se Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Sim, com certeza você vai se cansar de ler desagravos a partir de hoje, mas preciso registrar aqui o que vi desde o mês de outubro.

Primeiro, tudo que é de aluno, de norte a sul, ficou sabendo que o Enem viria com mudanças. Aí corre menino, corre professor, corre todo mundo pra reorganizar as coisas. Tudo feito nas coxas, sem respeito àqueles que estão começando a vida e precisam, sim, de segurança para fazer escolhas. Enfim, vamos deixar a pedagogia de lado.

Segundo, o Enem é um concurso cuja primeira organizadora responsável não passou por licitação. Até aí, nenhuma novidade nesta merda de país. Mas aí, fato inédito (pelo menos no Enem): a prova vaza. Corre MEC, corre ministro, corre todos os otários brasileiros pra saber o que houve: um zé mané qualquer entrou, pegou a prova e saiu na boa. Burro, ainda ligou pro Estadão, tentando "vender" a prova. Burrice mesmo... quer furo maior pra um jornal do que o vazamento desse tipo? Ladrão burro!!!

Aí, a prova que ia ser em outubro, passa pra dezembro. Pronto, instaurado o samba do crioulo doido. Federais mudam datas, federais recusam nota do Enem e os estudantes, pobres coitados, que se virem pra resolver o duelo pressão x zona. Né? Desculpe-me, mas esse é o único nome que eu consigo encontrar pra descrever.

Mas no final, vai dar tudo certo. Ânimos acalmados, nova data marcada e vamos em frente. Aqui eu entro:

Estou de gaiata nessa, já que já sou formada há um ano e meio, mas queria cursar Letras. A UFPE não abre ingresso para portador de diploma para este curso há tempos, então tive que me virar no vestibular, 9 anos depois de ter feito o 3º ano.

Aqui no Recife, não temos o horário de verão (assim como no restante do NE e N do País). Então, veja que maravilha. Sábado, 5 de dezembro, sol escaldante do meio-dia: dia, data e hora da primeira prova do Enem. Imagine você o que é uma prova de 90 questões (que reúnem biologia, química, física, geografia e história) com textos longos, na hora do almoço? Junte aí o calor infernal que faz aqui no Recife (imagine Teresina e São Luis, que são ainda mais quentes) com uma sala suja e a cadeira quebrada de uma escola pública estadual (isso explicaria a evasão escolar?). O sol era tanto que batia no teto da quadra da escola e refletia dentro da sala, deixando todo mundo cego. Resultado: janela fechada e ventilador. Ma.Ra.Vi.Lha!

Corri e consegui ler a prova toda e pensar (olha, que ótimo!), mas não sem reclamar com os dois caboclos que faziam papel de "aplicadores" de prova e conversavam animadamente dentro da sala enquanto eu tentava desenterrar vestígios de química orgânica da época do Salesiano (salva, Ernani!). Pedi silêncio, né? Óbvio!

Hunf...

Sim, mas bom mesmo foi hoje, domingo, dia 6 - português, redação e matemática (minha maior inimiga). De novo, 90 questões (mais a redação) para serem resolvidas. Olhe, nem que seja pra me desmentir, entre no site do Inep e veja com seus próprios olhos a prova absurda de matemática. Uma coisa de louco! Ninguém, em todo Brasil, deve ter conseguido fazer a prova toda. Chega uma hora que, ou você sai chutando tudo, ou não vai ter tempo de marcar gabarito... (marcar gabarito, lembra? riscar as bolinhas...). Eu não consegui ler a prova de matemática toda, mesmo tendo feito a redação em 25 minutos (ser jornalista TEM que servir pra alguma coisa). 

Mais: 45 questões de português e NENHUMA de gramática! Acentuação e pontuação, então, nem se fala...

Para completar, a confusão se armou agora há pouco no site do G1, que tinha aberto link pro pessoal fazer comentários sobre a prova. Acho que o negócio lá pipocou quando o MEC divulgou gabaritos ERRADOS! Confundiu tudo. Tinha resposta dizendo certa alternativa que dizia que o vírus da Aids é transmitido por animais. Eu quase infarto achando que tinha emburrecido de vez.

Bem, esse é o desabafo deste domingo. Uma falta de preparo imperdoável do Ministério da Educação, que só ratifica o buraco onde estamos, cada vez mais fundo. E estamos, meu caro, num país onde não se respeita nada. Nada!

Agora eu to querendo saber onde isso tudo vai parar. Olha só o que divulga o G1:

Segundo o ministério, os gabaritos foram embaralhados e saíram trocados. Ao menos seis questões estão com problemas na resposta.
(...)

"O que aconteceu foi muito ruim. A alta abstenção já mostrou que a prova ficou desmoralizada. Esses problemas no gabarito reforçam a visão de que a prova foi feita sem a estrutura adequada. O Enem acaba virando um motivo de chacota", disse coordenador do Curso Etapa, Edmilson Motta.




Bora, Haad! Agora põe a cabeça pra fora de Brasília e vem logo resolver isso!